Causas
- Paralisia cerebral, sobretudo nas formas mais graves de comprometimento motor.
- Distrofias musculares, como a distrofia de Duchenne.
- Atrofia muscular espinhal.
- Mielomeningocele e outras malformações da medula.
- Lesões da medula espinhal, traumáticas ou não.
Nessas condições a coluna perde o equilíbrio muscular que a mantém alinhada. A curva costuma ser em forma de C, envolvendo grande parte da coluna, e se acompanha de obliquidade da pelve, o que compromete a posição sentada.
Impacto
Diferentemente da escoliose idiopática, a escoliose neuromuscular afeta diretamente a função: a capacidade de sentar com conforto e equilíbrio, a respiração, a alimentação e os cuidados diários. Curvas grandes reduzem a capacidade pulmonar e podem causar dor por apoio assimétrico.
A progressão não para com a maturidade esquelética. Curvas acima de 40° a 50° tendem a continuar aumentando na vida adulta.
Tratamento
O tratamento é sempre multidisciplinar: neurologia, pneumologia, fisiatria, fisioterapia, nutrição e a família participam das decisões. Coletes e adaptações de assento melhoram o conforto e a postura sentada, mas não impedem a progressão das curvas maiores.
A cirurgia é considerada quando a curva compromete a posição sentada, a respiração ou os cuidados, em geral em curvas acima de 50°. Costuma ser uma artrodese longa, muitas vezes estendida até a pelve, para corrigir a obliquidade pélvica. É uma cirurgia de grande porte, com planejamento pré-operatório cuidadoso e maior taxa de complicações que na escoliose idiopática, e por isso deve ser realizada em centro com estrutura de terapia intensiva pediátrica, banco de sangue e neuromonitorização.
O objetivo da cirurgia neuromuscular é funcional: um tronco equilibrado, sentar sem apoio das mãos e menos dor. Esses ganhos mudam a rotina de toda a família.
Fontes e revisão
O conteúdo desta página segue o consenso atual das principais sociedades da área e a prática clínica do consultório.
- Scoliosis Research Society (SRS)
- SOSORT, sociedade internacional de tratamento ortopédico e de reabilitação da escoliose
- Weinstein SL et al. Effects of Bracing in Adolescent Idiopathic Scoliosis. New England Journal of Medicine, 2013 (ensaio BrAIST)
Revisado por Dr. Samuel Conrad, ortopedista e cirurgião de coluna, CRM-RS 33281, RQE 26426. Atualizado em setembro de 2026. Conteúdo informativo: cada caso é avaliado individualmente na consulta.

