Dr. Samuel Conrad, Cirurgia da Coluna

O que a cirurgia da escoliose corrige, e o que ela não corrige.

Material educativo sobre a correção cirúrgica: quando é indicada, o que influencia o resultado, o que é razoável esperar e o que pode dar errado. As imagens abaixo fazem parte desse conjunto e não representam promessa de resultado.

Quando a cirurgia é indicada

A cirurgia entra em discussão quando a curva ultrapassa a faixa de 45 a 50 graus, quando há progressão documentada apesar do tratamento conservador, ou quando existe repercussão funcional, como desequilíbrio do tronco, dor persistente ou comprometimento respiratório em curvas torácicas muito acentuadas.

O ângulo é um dado entre vários. Também pesam a idade, a maturidade óssea, o tipo e a flexibilidade da curva, a causa da escoliose e o que o paciente e a família esperam do tratamento. Em crianças pequenas, a decisão muda de natureza, porque o tórax e os pulmões ainda estão crescendo.

O que a cirurgia faz

A artrodese instrumentada reduz a curva com parafusos e hastes e funde o segmento tratado em um bloco alinhado. O objetivo é um tronco equilibrado sobre uma fusão sólida, que interrompa a progressão da deformidade. Ganho de altura de alguns centímetros é frequente em curvas acentuadas.

O que influencia o resultado

  • Rigidez da curva. Curvas flexíveis corrigem mais que curvas rígidas. A flexibilidade é avaliada antes com radiografias específicas.
  • Magnitude e tipo da curva. Curvas maiores e curvas duplas têm correção proporcionalmente menor.
  • Causa da escoliose. Curvas neuromusculares e congênitas se comportam de forma diferente da idiopática.
  • Idade e crescimento restante. Crescimento remanescente pode gerar alterações depois da cirurgia.
  • Qualidade óssea. Osso frágil segura pior os implantes e muda o planejamento.
  • Condições clínicas e hábitos. Fumar reduz a chance de a fusão consolidar.

A rotação das vértebras e a gibosidade das costelas melhoram de forma parcial. Uma curva residual e alguma assimetria do dorso são esperadas, não sinal de falha.

Dois casos operados neste serviço

Arraste a régua sobre cada imagem para ver a radiografia antes da cirurgia. Cada caso é individual: idade, tipo de curva, flexibilidade e condições clínicas mudam o resultado, e estes exemplos não representam o que vai acontecer em outro paciente.

Escoliose idiopática do adolescente, curva torácica

Curva torácica com progressão documentada durante o crescimento, tratada com artrodese instrumentada.

Radiografia após a cirurgia, com a coluna instrumentada
Radiografia antes da cirurgia, mostrando a curva
AntesDepois

Radiografias em pé, antes e depois da cirurgia, do arquivo do próprio serviço, publicadas com autorização e sem qualquer identificação.

Escoliose idiopática do adolescente, curva dupla

Curva dupla, torácica e lombar, com desequilíbrio do tronco, tratada com artrodese instrumentada.

Radiografia após a cirurgia, com a coluna instrumentada
Radiografia antes da cirurgia, mostrando a curva
AntesDepois

Radiografias em pé, antes e depois da cirurgia, do arquivo do próprio serviço, publicadas com autorização e sem qualquer identificação.

Evoluções possíveis, inclusive as insatisfatórias

Nem toda cirurgia termina com a correção desejada, e algumas complicações aparecem meses ou anos depois. Os esquemas abaixo representam as situações mais descritas na literatura.

Correção satisfatória

A curva é reduzida e o tronco fica equilibrado sobre uma fusão sólida. Uma curva residual é esperada.

Correção parcial

Em curvas rígidas ou muito acentuadas, parte da deformidade permanece. É um resultado previsto, discutido antes da cirurgia.

Falha de consolidação

Quando o osso não funde, a haste sofre carga repetida e pode quebrar. Costuma aparecer meses ou anos depois e pede cirurgia de revisão.

Progressão abaixo da fusão

A curva livre abaixo do segmento fundido pode aumentar com o crescimento remanescente. É uma das razões para planejar com cuidado onde a fusão termina.

Ilustrações esquemáticas elaboradas para este site. Não são radiografias de pacientes.

Complicações descritas na literatura

Toda cirurgia de grande porte tem riscos, e eles são explicados à família antes de qualquer decisão. As complicações relatadas na cirurgia de deformidade da coluna incluem:

  • Infecção, precoce ou tardia, que pode exigir nova cirurgia e antibióticos prolongados.
  • Sangramento com necessidade de transfusão, hoje menos frequente com os protocolos de economia de sangue.
  • Falha de consolidação, chamada pseudartrose, que pode levar à quebra de haste e à cirurgia de revisão.
  • Soltura ou má posição de implante, detectada no acompanhamento radiográfico.
  • Cifose juncional proximal, uma angulação na transição entre o segmento fundido e a coluna livre acima, visível na radiografia de perfil.
  • Progressão abaixo da fusão, mais provável em pacientes com muito crescimento restante.
  • Correção parcial ou perda de correção ao longo do tempo.
  • Lesão neurológica, a complicação mais temida e uma das mais raras. A neuromonitorização acompanha os sinais da medula durante todo o procedimento e permite interromper ou reverter uma manobra antes que haja dano, mas não elimina o risco.
  • Complicações clínicas relacionadas à anestesia, à imobilidade e ao porte do procedimento.
  • Dor persistente ou limitação de movimento nos segmentos fundidos.

A frequência de cada uma varia conforme o tipo de escoliose, a extensão da fusão, a idade e as condições clínicas. Em escoliose idiopática do adolescente operada em centro com estrutura adequada, a maioria das cirurgias transcorre sem complicação, e as que ocorrem costumam ser tratáveis.

Como este material foi montado

As radiografias são do arquivo do próprio serviço, publicadas com autorização por escrito do paciente ou do responsável, sem qualquer dado que permita identificação. Não houve edição, manipulação ou melhoramento das imagens: apenas o recorte da faixa superior, que continha a identificação. Os esquemas de evolução são ilustrações próprias.

Conteúdo publicado em caráter educativo, conforme o artigo 14 da Resolução CFM nº 2.336/2023. Não constitui promessa nem garantia de resultado. A indicação cirúrgica é individual e depende de avaliação presencial.

Revisado por Dr. Samuel Conrad, ortopedista e cirurgião de coluna, CRM-RS 33281, RQE 26426. Atualizado em setembro de 2026.

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Atendimento a crianças, adolescentes e adultos, de segunda a sexta, das 8h às 19h. Traga os exames anteriores, mesmo antigos: eles contam a história da curva.

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