Dr. Samuel Conrad, Cirurgia da Coluna

Escoliose idiopática do adolescente

É o tipo mais comum de escoliose. Surge geralmente entre os 10 anos e o fim do crescimento, sem causa definida, e tende a progredir justamente no estirão puberal.

Modelo anatômico de coluna vertebral sobre a mesa de um consultório
Imagem ilustrativa

O que é

A escoliose idiopática do adolescente é uma curvatura tridimensional da coluna que aparece em crianças e adolescentes previamente saudáveis, sem malformação vertebral, doença neurológica ou muscular que a explique. O termo idiopática significa que a causa exata não é conhecida, embora fatores genéticos estejam claramente envolvidos: é comum encontrar outros casos na família.

Responde por cerca de 80% das escolioses e tem prevalência de 2 a 3% na população. Curvas pequenas são igualmente frequentes em meninos e meninas, mas as curvas que progridem e precisam de tratamento são muito mais comuns em meninas.

Sinais

  • Um ombro mais alto que o outro ou uma escápula mais saliente.
  • Cintura assimétrica, com um lado mais marcado que o outro.
  • Tronco deslocado para um dos lados em relação à pelve.
  • Saliência de um lado das costas quando a criança se inclina para a frente (teste de Adams).
  • Roupas que parecem tortas ou uma barra de calça que fica desigual.

Na maioria dos casos a escoliose idiopática não dói. A ausência de dor não é motivo para adiar a avaliação. Dor intensa, dor noturna ou sintomas neurológicos, ao contrário, pedem investigação de outras causas.

Diagnóstico

O exame clínico inclui o teste de Adams, a avaliação do alinhamento do tronco e um exame neurológico completo. A confirmação é feita com radiografia panorâmica da coluna, em pé, nas incidências de frente e perfil, que permite medir o ângulo de Cobb.

Como o risco de progressão depende de quanto a criança ainda vai crescer, a avaliação inclui a maturidade esquelética (sinal de Risser e idade óssea), a idade da primeira menstruação e a velocidade de crescimento. Curvas atípicas, dor incomum ou alterações neurológicas podem indicar ressonância magnética para afastar outras causas.

Como evolui

O comportamento da curva é dinâmico. Duas variáveis determinam o risco de piora: o tamanho da curva e o crescimento restante. Uma curva de 30° em uma menina de 11 anos que ainda não menstruou tem risco de progressão muito maior que a mesma curva em uma jovem de 17 anos.

Depois da maturidade esquelética, curvas menores que 30° raramente progridem. Curvas acima de 50° tendem a aumentar lentamente ao longo da vida adulta, o que é uma das razões para tratá-las antes.

Tratamento

  • Menos de 25°: observação, com consultas e radiografias periódicas enquanto houver crescimento.
  • Entre 25° e 45° em paciente com crescimento restante: colete, para impedir a progressão. A eficácia depende diretamente do número de horas de uso por dia.
  • Acima de 45° a 50°, ou progressão apesar do colete: cirurgia, em geral artrodese posterior instrumentada.

Fisioterapia com exercícios específicos para escoliose pode complementar o acompanhamento e o uso do colete. Exercício isolado não substitui o colete nem corrige curvas maiores, mas contribui para postura, força e consciência corporal.

Quanto mais precoce o diagnóstico, maior o leque de opções de tratamento, melhores os resultados e menores os riscos.

Conteúdo de caráter informativo, elaborado a partir da prática clínica e da literatura médica. Não substitui a avaliação individual.

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Consultório no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Atendimento a crianças, adolescentes e adultos.

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